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Postal de Sesimbra

Recebida no nosso Fórum esta entrada é digna de figurar na primeira página do café.
Aqui ficam também os nossos agradecimentos ao Zé Gil

Confesso que foi com uma ponta de emoção que naquela manhã de 18 de Dezembro de 2005 assisti á saída de Sesimbra, rumo ao Brasil, da Nossa Senhora da Aparecida, uma barca típica de Sesimbra, que depois de muitos anos na faina da pesca, foi mandada recuperar pelo seu actual proprietário, Alexandre Holstein, um entusiasta pelo mar, que com mais 3 companheiros levou a cabo um seu velho sonho de fazer, á vela,a travessia do Atlântico pela rota de Pedro Alvares Cabral.
Antes da sua saída, quase todos os dias eu fazia uma passagem quase obrigatória junto à marina do Clube Naval para admirar " A Barca" e ao mesmo tempo pensar na enorme aventura que representaria para aquela " casca de noz", de apenas 11 metros de comprimento, atravessar o imenso Atlântico.
Por isso no dia da sua saída senti alguma tristeza por pensar que na manhã seguinte, quando por ali passasse de novo, aquele lugar estaria vazio e que a Nossa Senhora da Aparecida iria deixar a sua Sesimbra para sempre. A festa de despedida foi bonita com muita gente no cais, as televisões presentes e o conjunto típico sesimbrense "Nova Galé" a tocar uma bela música alusiva à viagem que estava prestes a iniciar-se, cantada e composta pelo Reinaldo Nunes, antigo "Diamante Negro" e residente em Sesimbra há largos anos.
Ao longo da viagem procurei sempre saber notícias navegando pela net, e foi através do Blog Sesimbra que recolhi algumas informações em cima da hora. E foi com muita satisfação que fui sabendo das chegadas a Tenerife, Cabo Verde e muito especialmente a Fernando Noronha e Porto Seguro, onde os responsáveis locais e muitos populares dispensaram uma calorosa recepção " à barquinha" e á sua tripulação.
Alguns dias depois os 4 navegadores regressavam a Portugal por via aérea, com o sentimento de missão cumprida em relação áquela que certamente constituíu a viagem das suas vidas, e que durou 73 dias.
Entretanto o que se dizia em Sesimbra era que " A Barca" ficara definitivamente no Brasil.
Alguns meses passados, numa das minhas idas regulares ao pontão, pareceu-me ao longe ser a Nossa Senhora da Aparecida que estava ancorada a um outro barco num dos pontões da doca. Quase não queria acreditar que fosse verdade, e de imediato fui àquele pontão. Para minha grande surpresa era mesmo a Nossa Senhora da Aparecida, tendo então sido informado que algumas entidades manifestaram interesse no seu regresso a Sesimbra custeando o transporte que foi feito num navio de carga.
Hoje a barca " está feliz" no local onde sempre viveu e tem uma actividade bem diferente, desta vez ligada ao turismo.
Está à disposição do público para viagens de meio dia ou de 1 dia pela belíssima costa sesimbrense, sendo muito solicitada por nacionais e estrangeiros.
Um destes dias quando passava pela doca, vi a Nossa Senhora da Aparecida sair para o mar cheia de pessoas que irradiavam uma enorme satisfação pelo passeio que iam iniciar. Pessoalmente também me senti feliz por esse facto, e pensei de imediato que o tema para este postal estava encontrado.

Zé Gil

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