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A comemoração do 60º aniversário do Luís

O nosso “bom gigante” chegou finalmente aos anos 60 e como tal, havia que lhe proporcionar algo condizente com a dedicação que ele já manifestou a muitos amigos em situações semelhantes.

Organizou-se um grupo de conspiradores que, com meses de antecedência, foram cozinhando uma festa que se pretendia grande como o homenageado.
Os “quadrilheiros” reuniram-se duas vezes nas casas dos manos Nascimentos, respectivamente em casa do Zé e do Carlos.
Inicialmente estávamos indecisos sobre o que fazer porque o engraçado era a festa surpresa mas, dados os muitos conhecimentos, contactos e amigos que o Luís tem, temíamos que nos fosse faltar alguém que ele fizesse questão de estar presente nesta comemoração, importante para ele, para a Comissão um ponto de honra. Na primeira reunião ficou logo definida a liderança. As ideias saíam da carola do Carlos Nascimento como sandes de coirato em dia de futebol e, em toda esta empreitada, sem desprimor pelos restantes quadrilheiros, o Carlos, o Zé, e o Carlinhos Magalhães, foram os cabecilhas do princípio ao fim.
Emails foram às centenas. Depois dessas reuniões ficou assente que, como o aniversariante gostaria de fazer um pic-nic, lhe iríamos proporcionar esse desejo. O local escolhido foi a Peninha, por degradação absoluta de Santa Eufémia.
Tornearam-se imensos obstáculos: O primeiro foi que no dia do aniversário não havia aniversariante, porque este estaria a banhos de água fria no Alasca; Depois era arrancar-lhe todos os contactos para ele indispensáveis; Mentiu-se-lhe forjando 2 festas, uma verdadeira a 23 de Maio, em que ele pensava ir fazer uma surpresa aos clientes da STET, com os quais convive com frequência e onde tem muitos amigos; Finalmente dissemos-lhe que a festa dele seria uma semana depois, totalmente organizada por uma comissão que apenas precisava dos contactos; Depois desta treta toda ele foi na conversa.
Feita a resenha para memória futura, da origem desta mega festa de Aniversário, passemos então ao relato do dia 23 de Maio na Peninha.
Depois de uma semana solarenga, eis que a meteorologia se virou contra nós ameaçando-nos com um fim-de-semana de chuva e trovoada, tudo em desfavor da realização de um pic-nic em plena Serra de Sintra, num dos seus locais mais paradisíacos mas ao mesmo tempo mais frios e desconfortáveis em dia de tormenta. Às 00,30H do dia 23 os deuses que mandam as chuvas, zangaram-se de tal maneira que a água parecia que vinha das Cataratas do Niagara, de tal modo que o homenageado no dia do evento chegou exausto devido a uma inundação na sua garagem. O dia amanheceu com má cara, alvitrou-se um plano “B” nas primeiras reuniões, logo descartado pelo Carlos Nascimento, que garantiu que não chovia e que tinha que ser na Peninha, acrescentando que se tal acontecesse se convertia já a que fé. Como agora vai para a Índia eventualmente vai para Guru. Dos “quadrilheiros” e como combinado, eu fui o primeiro a chegar para dar apoio ao pessoal do restaurante, tendo chegado o resto da comissão tudo a horas madrugadoras, ninguém queria falhar.
Estava a montar-se a mesa do secretariado, e a efectuar-se os primeiros pagamentos, eis que chega um furgão grande com uma equipa de funcionários de uma firma, a descarregar uma mobília de casa de jantar estilo “Queen Anne”. Tudo ficou incrédulo, mas o que é isto?... A carta da organização entre alguns alertas dizia para levar; agasalhos, uma manta, e uma mesinha e cadeiras! Estes convidados e amigos do Luís levaram a carta ao extremo, toca a levar a mobília completa, um momento hilariante. Tratava-se do Sr. Manuel Branco e do seu sócio Sr. Amaral, do restaurante “O Coirato”, que teve honras do porquinho símbolo da firma e tudo. Mais um apontamento engraçado a contribuir para o bom ambiente.

O Luís ficou de ir ter a casa do Carlos Nascimento, para se vestir de Marajá e de lá partir com as suas acompanhantes também trajadas a preceito tudo malta “quadrilheira”, que lhe deu um baile desgraçado, até ele chegar à Peninha sem nunca se ter apercebido do que o esperava.
Tudo feito à dimensão do homenageado: Em GRANDE!
Ei-lo que chega de Limusina Mercedes Branca com mais de 10 metros de comprimento. Mesmo daquelas dos filmes americanos em que só os ricos sentam o cuzinho. Primeiro saem os acompanhantes e deixam o homenageado para o fim que, quando põe o pé em terra firme tem uma banda filarmónica com 30 elementos a tocar os parabéns e de seguida uma série de marchas a pé firme. Uma chegada digna de um alto magistrado. Muitas vezes o Presidente deste país chega e não tem uma recepção em nada semelhante. A comoção misturou-se com a alegria, parecíamos crianças felizes por termos pregado uma partida a um amigo que é perito nestas coisas. Só que desta vez a fasquia ficou demasiado alta. Repetir ou fazer melhor... vai ser muito difícil.
Convidados foram muitos, presentes estiveram cerca de 130. Na parte afectiva nada a apontar, foi uma verdadeira festa. A Banda de Música e a parte organizativa da homenagem salvaram o fiasco que foi a comida servida pela restauração da quinta Madre Deus que, de tão má, tanto em quantidade como em qualidade, quase não se encontram adjectivos para a qualificar.
Como já estava preparado vieram os burros, da reserva da Peninha para diversão dos mais pequeninos e foi um sucesso. Depois todos foram convidados a deslocarem-se 600m mais à frente ao miradouro para se deliciarem com a paisagem deslumbrante que dali se alcança, embora o céu estivesse carregado de nuvens, na sua maioria cúmulos e extracto-cúmulos, a fazer uma combinação terra mar e ar deslumbrante. O melhor desta deslocação a pé e o que fez com que ninguém ou muito poucos ficassem sentados, foi a simpática Banda de Pedrógão Pequeno que, ao sinal de vamos embora, já estava formada e pronta a arrancar à frente dos convidados, a tocar uma marcha tal qual uma romaria dessas que se vêm por esse país fora em honra de um qualquer Santo Padroeiro. O Marajá e o seu secretário seguiam de braço dado imediatamente atrás da Banda. Alguém com muita graça mandou uma “boca” que quem não soubesse o que era aquilo era capaz de pensar tratar-se de um casamento gay. A minha mulher, apaixonada pelos filmes do Vasco Santana, só se lembrava do filme o Pai tirano, quando no final vai tudo preso atrás da Banda de Música.
Não ficou nada esquecido, tudo foi feito ao pormenor e com requinte. Da Limusina às casas de banho, de Senhoras e Homens, um luxo que até apetecia ir fazer xixi.
De salientar a presença inesperada da Tia Ludovina que, com a lucidez dos seus noventa e três anos, não quis deixar de estar presente, o que deixou o Luís completamente de rastos e a chorar compulsivamente de tanta emoção junta.
Em suma um dia inolvidável que, por muito ruim que estivesse a comida, nunca mais me vou esquecer, assim como muita gente como eu que estava imbuída no espírito da amizade e confraternização.
Clique aqui para ver os vídeos sobre o evento desde a sua preparação e AQUI para ver as fotos.
O Comissariado teve a seguinte composição:
Altíssimo – Carlos Nascimento, Karlyttos o homem que até manda na chuva!
Alto-comissário – Zé Nascimento, o de sempre, símbolo de garantia.
O tesoureiro – Carlos Magalhães (pormenores, eficácia).
Sempre um prazer ter o Carlinhos na equipa.
Maria de Jesus (STET)- Uma peça fundamental nesta trama.
Jaime & Isabelinha – Aparece sempre trabalho realizado pela dupla, que em pezinhos de lã diz sempre presente.
Victor Ricardo – O manager também era da equipa e correspondeu. O Carlos incumbiu-lhe a tarefa de amontoar os carros na Peninha e ele fez o trabalho na perfeição.
Teresa Nascimento (esposa do Carlos) e Ana Maria Nascimento (esposa do Zé) – não foram tão activas, mas foram também da quadrilha e aldrabaram o LUÍS quando necessário. Receberam-nos nas suas casas com muita cordialidade, disponibilidade e simpatia.
Agradecimento à D. Heloíse e ao Eng.º António seu marido, da empresa SANESTRADAS, com quem tive o prazer de conversar e concluir que, como eu, é um apaixonado por estas coisas de bandas de música. Deve “entrar” para a banda que nem um louco, mas Deus lhe dê muita saúde e dinheiro porque, ali está a contribuir para a cultura e esse dinheiro nunca se irá perder. Bem hajam!
A ”STET”, na pessoa de um dos seus directores, o nosso amigo Carlos Nascimento, foi fundamental na engrenagem.
Ao Sr. Amaral que, por intermédio do Carlos Magalhães, nos disponibilizou aquele luxo de casas de banho, o nosso obrigado.
Eu também tenho o meu nome ligado a mais esta super realização, mas pouco ou nada fiz porque estava tudo tão bem entregue e tão bem organizado, que quando está bem não convém serem muitos a mexer, por isso é que o Porto enquanto estiver lá o Pintinho ganha tudo. Fiquei com o nome ligado à história mas trabalhei pouco ou nada. Ninguém me tira no entanto o muito prazer que tive em fazer parte desta equipa vencedora, o gosto de andar atrás da Banda Filarmónica, a simpatia que encontrei naqueles Beirões que a troco de nada nos deram tudo. O sorriso e a felicidade das crianças e dos adultos que mais pareciam crianças. Foi um dia daqueles que fazem esquecer os outros dias nostálgicos e chatos que a vida nos coloca por vezes na nossa caminhada.
Não era minha intenção fazer um agradecimento aos colaboradores, antes sim um relato dos acontecimentos. Se por acaso alguém se sentir ofendido por não estar mencionado no meu relato, não é minha intenção magoar ninguém nem menosprezar o trabalho de quem nos ajudou, todos deram o melhor de si para que tudo fosse um sucesso, e foi!

Sintra Maio de 2009 – Carlos José Paulo dos Santos - Caínhas