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Baile de Outono

Diamantes Negros participam num jantar dançante no melhor estilo 60's!

Em Agosto o Francisco vai estar entre nós

Desta vez vem fazer um Summer Tour com uma voz feminina

Parabéns ao Zé Nascimento

O nosso amigo está de parabéns


Weblog

Este é um espaço livre onde acolhemos os comentários dos Diamantes e seus amigos.

Jazzmania

Sempre achei que neste nosso sítio, se falava pouco de música, e quando tal acontecia era para falar das nossas “lides†do passado.
Em boa hora o Carlos Henriques, o nosso XIXÓ, veio falar da sua dependência pelos Beatles, que embora respeitando muito não é aquela música que ocupa os meus tempos livres embora tenha toda a discografia, até ao último “LOVEâ€.
A minha paixão musical já de há muito tempo a esta parte, vai para o JAZZ, cujos interpretes normalmente são grandes vultos desta ARTE dos SONS, que se chama música.
Depois desta coluna do Xixó logo pensei em escrever algo sobre grandes nomes do JAZZ, tentando não fazer má figura, e não dizer asneiras sobre as pessoas que quero homenagear e dar a conhecer a quem ainda possa não saber tudo o que aqui for dito.
Gostava de começar por uma grande cantora de JAZZ

BILLIE HOLLIDAY

Billie Holiday fotografada por Carl Van Vechten.
fonte:http://www.search.com/reference/Billie_Holiday
Normalmente e quando é merecido diz-se; uma grande “Senhora†etc., mas esta diva da música teve uma vida tão atribulada desde a nascença até aos seus últimos dias, que dizer que alguma vez foi uma Senhora na verdadeira acepção da palavra, estamos quase a chamar-lhe nomes feios, musicalmente e artisticamente falando isso sim não se lhe podem regatear adjectivos, mas ainda hoje o problema se põe, quem não tem uma boa formação e vem de origem humilde, nem todos têm condições para saber lidar com a fama, o dinheiro.
Nasceu em Filadélfia em 7 de Abril de 1915, e faleceu com 44 anos em 17 de Julho de 1959 em Nova Iorque. Nascida com o nome de Eleanor Fagan Gough a sua infância passou-a em Baltimore, filha de pais adolescentes, pois à data do seu nascimento seu pai Clarence Holiday tinha 15 anos e a mãe Sara Fagan apenas treze.
Filha de pai músico tocava banjo e guitarra em bandas, abandonou a família ainda a pequena Eleanor (Billie) era uma bebé, e a sua mãe também uma criança sem preparação, de origens humildes abandonava a filha à sua sorte, ficando esta ao cuidado dos familiares.
A pequena Eleanor negra e pobre com 11 anos foi violentada por um vizinho, e internada numa casa de correcção, com doze anos andava a esfregar escadas, mais tarde e já a viver com a mãe em Nova Iorque era prostituta.
Iniciou a carreira de cantora com 15 anos, de modo mais ou menos acidental, vivia com a mãe miseravelmente, e estando ambas ameaçadas de despejo, e sem posses para pagar as despesas, Billie veio para a rua à procura de dinheiro, entrou num bar do Harlem onde haviam bailarinas, ela foi oferecer os seus préstimos, depois de prestar provas revelou-se um verdadeiro desastre. O pianista com pena, e perante aquele quadro de miséria que deveria rondar o deprimente, perguntou-lhe se ela sabia cantar, fez testes e saiu logo de lá com emprego garantido.
Trabalhou em vários lugares e ao fim de 3 anos foi alvo da atenção do crítico John Hammond, tendo gravado o seu primeiro disco por influência deste, com a Orquestra de Benny Goodman.
Era o início de uma carreira que se tornou célebre, actuando com as orquestras de Duke Ellington, Count Basie, Artie Shaw, e Teddy Wilson, tendo também actuado com Louis Amstrong.

fonte: http://www.hanshekler.de/hh/jazz/imgjazz/billie.gif
Billie Holliday cantava de uma maneira sensual, e ao mesmo tempo comovente, a sua voz carregada de swing era profunda e emotiva embora ligeiramente rouca.
Com 35 anos não conseguiu resistir ao álcool e às drogas, passando momentos de depressão que viriam a reflectir-se na sua voz.
Pouco antes de morrer publicou a sua autobiografia “LADY SINGS THE BLUESâ€, através da qual em 1972 se realizou um filme tendo como protagonista no papel de Billie Holiday, a cantora Diana Ross.
Como quase todos os grandes vultos da Arte, o reconhecimento do seu real valor só lhe foi atribuído depois de morrer.
Outros nomes de Lady’s do Jazz:
-NANCY WILSON, ETTA JONES, ELLA FITZGERALD, LESTER YOUNG, DINAH WASHINGTON, CARMEN McRAE, ROSEMARY CLOONEY, SARAH VAUGHAN, HELLEN HUMES, BETTY ROCHÉ, para não tornar muito extensa esta lista que me perdoem todas as outras.
WEBGRAFIA:
Billie Holliday – Wikipédia - http://en.wikipedia.org/wiki/Billie_Holiday
Billie Holliday – Site oficial - http://www.cmgww.com/music/holiday/
Pandora Internet Rádio - http://www.pandora.com/

Beatlemania

Amigos e ‘Amigos dos Diamantes Negros’!
Finalmente vou colaborar na página dos DN ! Já não era sem tempo. Quanto mais não fosse como agradecimento àquele(s) - (obrigado Jaime), a quem se deve a existência e manutenção deste ‘site’ com o objectivo não só de recordar (mais) um grupo musical dos Anos 60 mas acima de tudo, reviver e manter a principal obra dos DN : as amizades criadas à sua volta. Mais importante do que a sua qualidade musical, ainda hoje em diversas situações e locais, se pode sentir acesa uma ‘chama’ de nostalgia em muitos Sintrenses ao recordarem ‘aqueles-tempos’.
Depois desta pequena ‘lamechice’ ... a minha colaboração vai resumir-se em contar-vos algumas histórias e curiosidades sobre um fenómeno (para muitos, doença !) que me ‘atacou’, tinha eu 15 anos e que não mais me largou: a Beatlemania.
A primeira vez que li (e ouvi) a palavra Beatles : Foi em Novembro de 1963. Naquela época o Cliff Richard e os Shadows, o Elvis Presley e o Paul Anka, o Neil Sedaka e o Ricky Nelson, eram os maiores, não esquecendo a Françoise Hardy ou a ‘bela’ Silvie Vartan. A minha (e a de quase todos nós) discografia era baseada naqueles ‘monstros’ da música. Lembram-se dos ‘bailes-de-garagem’ onde se ouviam, até à exaustão, musicas como o ‘It’s now or never’, ‘Love me tender’, ‘Diana’, ’Si je chante’, etc.. ? Por outro lado, para quem tentava, como eu, dar os primeiros acordes numa viola, todos os dias tinha ‘aulas’ com os Shadows. A paciência que ‘eles’ e o meu velhinho e cansado gravador, tiveram comigo! Por isso, sempre que o meu Pai se deslocava a Londres, por motivos profissionais, ia ‘carregado’ de encomendas de discos, principalmente daqueles Mestres-da-guitarra.

Até que naquele mês e ano, no meio dos meus pedidos, vinha um disco em cuja capa se podiam ver quatro jovens debruçados num corrimão de escada. O grupo chamava-se ‘The Beatles’ e o disco tinha como título ‘Please, please me’ .Confesso que comecei a ouvi-lo um pouco desinteressadamente tal era a ansiedade em ouvir as ‘ultimas’ dos Shadows. Não sei se ouvi todas as faixas: lembro-me de ouvir o ‘I saw her standing there’ e de achar que o solo da guitarra tinha um som muito agreste e difícil de ‘entrar-no-ouvido’, um som sem efeitos de eco, sem a utilização do ‘vibrato’ (a célebre ‘alavanca’) …que coisa ‘xaxa’. O meu Pai perguntava-me se tinha gostado da ‘novidade’ e esforçava-se por me transmitir o sucesso que aquele grupo estava a obter em terras de Sua Majestade. ‘Obrigado Pai, gostei muito…. ‘ dizia eu, ao mesmo tempo que se ouviam os primeiros acordes do ‘Sleep Walk’ .
Passaram-se 6 meses. Estava eu mais os ‘Dedicados-Amigos-do-Café-Paris’ sentados na esplanada à frente das ‘duas-bicas-para-seisâ€, em mais uma tertúlia musical, quando se nos dirige o Carlos Nascimento, naquele seu jeito
'irónico' e ao mesmo tempo que ajeitava a sua (ainda hoje, famosa) melena, nos disse: ‘Acabei de ouvir um conjunto melhor do que os Shadows’!.
Por breves instantes, fez-se um silêncio profundo ao mesmo tempo que nos entreolhámos desconfiados! ‘Lá vem o Carlos com as suas ‘bocas’- comentou alguém (se calhar fui eu!). ‘E quem são? Como se chamam? ‘. A resposta, um pouco atabalhoada, fez-se ouvir. ’Pareceu-me ouvir que se chamam ‘Beats’ ou ‘Bits’, disse ele. Imediatamente, ‘senti’ os meus neurónios em turbilhão, tentando associar aquele ‘nome’ com o tal disco que eu tinha arrumado (já não sabia onde), com os quatro ‘cavalheiros’(mais tarde ‘Cavaleiros’) debruçados no vão de uma escada.
Quase que a correr, fui para casa. Lá encontrei o disco e pensei : ‘Queres ver que são estes ‘gajos’? The Beatles ! Só podem ser! “. À noite, no ensaio dos DN, comecei a minha campanha na divulgação daqueles ‘novos sons’! Não foi fácil. Ainda foi preciso passar quase um ano até tocarmos o ‘She Loves You’, no Baile das Camélias !
Carlos Henriques(Xixó)

Foto da capa do disco
Copyright 2005 Apple Corps Ltd.

Craques dos Anos 60

Fomos ao nosso "baú" do passado e descobrimos uma foto cuja história gostaríamos de conhecer.
Decidimos publicá-la e pedir a ajuda dos nossos leitores e amigos para recolhermos toda a informação possível.

Dados conhecidos:

Recorremos ao nosso amigo Caínhas (que é um arquivo em pessoa sobre a matéria) e ficámos a saber:
Época: Princípio dos anos 60
Local: Estádio Nacional - Cruz Quebrada.
Jogadores
(em cima da esquerda para a direita): Costa Pereira (S.L.B.); Mário Wilson (Académica); Vicente (Belenenses); Galaz (S.C.P.); Artur (S.L.B.) e Juca (S.C.P.) - capitão.
(em baixo pela mesma ordem): (?); Monteiro da Costa (F.C.P.); Mário Coluna (S.L.B.); Hernâni (F.C.P.); (?)*

(*) O Caínhas pensa que o último (em baixo à direita) pode ser o José Pedro (Lusitano de Évora). Quem ajuda a descobrir?

Esta foto é a nossa homenagem a todos os "craques" do passado que, como em todas as áreas, já foram esquecidos há muito tempo!
Ficamos a aguardar a vossa ajuda.

Uma gasosa para desenxugar!

Hoje eu vim ao Café porque parece que é um sítio onde a gente pode matutar nas coisas e onde se pode falar dessas mesmas coisas.
Eu e mais a minha senhora temos sido sãos e sem maleitas e por mor disso não temos incomodado o senhor doutor médico de família. Mas a gente vai para a idade e pela mudança da mesma, a minha senhora teve que ir ao Centro de Saúde de Sintra.
Ficámos a saber que já não temos direito a médico de família! Eu já nem sei se tenho direito a ter família quanto mais a médico. E soube mais, que eu e mais a minha senhora fomos expurgados lá do sistema…
E eu que não percebo nada de futebóis! Agora expurgar, é o que eu faço, às vezes lá no moinho, para que o gorgulho não me dê cabo do trigo nem do centeio.
A senhora doutora lá do Centro até disse à minha senhora que ela não contribui nada para a sociedade (eu sempre lhe disse que ela devia ser sócia) e por isso até nem devia ter direito a ser utente. E eu até disse mais:
“Se não és utente não tens nada que estar doente!†– Vossemecês não acham que eu disse bem?
Ao vosso dispor.
Zé do Moinho
“…se não há parrameiros, pode ser uma queijadita e uma gasosa para desenxugar!â€

Nota da menina da Junta: Mesmo que pensem que o Zé do Moinho é personagem de ficção, mas os factos, garanto que são reais!

Os pontos negros da “Geração de 60â€

Somos românticos inveterados, “crónicos, velhos, chorões, piegas atéâ€, talvez sim!
Quem é que hoje sabe dar valor a jovens, que foram arrancados com 17, 18, e 19 anos do seio dos seus familiares, de um Portugal, fechado, cinzento, faminto, e onde se demorava até 10 horas, e mais, para ir de Lisboa ao Porto, e onde todo o interior era terras que se sabiam existir mas das quais o melhor era fugir delas, porque ali não se passava nada a não ser muitas vezes fome.

Que sabem hoje os nossos filhos para valorizar uma geração que embarcava no Cais da Rocha do Conde de Óbidos em navios de carga, com porões adaptados para transporte de homens; Alguns deles iam deitados desde a primeira hora até ao desembarque, enjoados e a passar a tormenta de quem nunca entrou num barco e se dá mal com a mais pequena ondulação. O cheiro era nauseabundo contribuindo ainda mais para a generalização do mau ambiente.

Muitos dos "mancebos" da geração de 60 nunca tinham saído das suas aldeias até irem para a tropa. Tomar um banho de duche era uma coisa inimaginável até terem lá chegado, outros nunca tinham tido uma caminha tão boa como a que foram encontrar no serviço militar, nem comido a tempo e horas uma comida como aquela, que alguns de nós achávamos da pior qualidade.

No ano em que qualquer rapaz fizesse 18 anos, poder-se-ia inscrever como voluntário em qualquer arma do serviço militar: Exército, Marinha ou Força Aérea. Se entrasse na primeira incorporação e fizesse anos no fim do ano entraria para o serviço militar com 17 anos, voluntariamente, desde que com a permissão dos pais.

Aflige-me muito ver que hoje se rejeitam responsabilidades. Homens já feitos, alguns com mais de 30 anos, não se consideram preparados para as tarefas mais elementares. Para nós os “PIEGAS DA GERAÇÃO DE 60†a partir dos 17 anos, a maioria já se encontrava mais do que apta. Desde gerir o controlo de tráfego aéreo de bases militares com mais de 3 e 4 aviões para fazer

aterrar, descolar e controlar o espaço aéreo, até á sua manutenção com a supervisão dos Sargentos. Eu falo da Força Aérea que foi a minha arma, e da qual ainda hoje me orgulho de ter representado, porque nós os “Chorões, os Velhosâ€, éramos como irmãos. Quem foi militar nos anos 60 neste país e sobretudo se foi á GUERRA COLONIAL não esquecerá jamais os seus companheiros de jornada, os que foram e vieram, mas sobretudo os muitos que ficaram lá para sempre, tombados em nome de uma causa perdida, que nós nem pensávamos se era boa ou má. Estávamos ali em nome de Portugal, queríamos fazer o nosso trabalho bem e sobretudo voltar o mais rapidamente possível para junto das nossas famílias, que choravam cá por nós sem saberem onde nos encontrávamos e se estávamos bem, ansiosos para que o nosso nome não fosse o próximo a ser mencionado como mais um "mártir caído em combate", nas mais diversas maneiras desde uma simples doença tropical, até a uma mina anti-carro ou anti-pessoal.

Revolta-me muito a moda "anti-Tuga" em que levam todos pela mesma medida, os que são realmente foleiros, e aqueles que estão (como eu) orgulhosos apesar de tudo do que passámos por termos pertencido a tão ilustre geração, e honrados por sermos portugueses e termos servido PORTUGAL. Ainda está por fazer a verdadeira justiça a todos aqueles que obrigados foram servir este país a troco de nada. Sim porque nós fomos “OBRIGADOS, MAL PAGOS, e À FORÇAâ€, não íamos ganhar milhares de contos, nem sequer nomeados como forças de manutenção de Paz para passar o tempo. Nós éramos as Forças Armadas deste país e íamos mesmo para o que fosse preciso, cada qual na sua missão ou especialidade, mas sobretudo íamos para a Guerra.

Eu fui para Angola com 20 anos, casado há seis meses, deixando cá uma jovem com a mesma idade, cheia de ilusões tal qual eu, com amor a transbordar por todos os poros. Não víamos mais nada à nossa frente que não fosse o amor que jurámos dar um ao outro para sempre.

Eu interrompi abruptamente não só o meu noivado, como tive que deixar o meu outro amor que era a música, sobretudo os Diamantes Negros que eram a menina dos meus olhos, mas quem era daquela geração já sabia que tinha aquele “petisco†pela frente e havia que fazer tudo para passar o obstáculo da melhor forma. Essa era a melhor maneira de chegar cá vivo.

Consegui decerto modo contornar o obstáculo música porque havia um grupo no Aeródromo Base N.º3 no Negage, Distrito do Uíge, Norte de Angola (OS GÉNIOS). Embora servisse para estar a fazer uma coisa que eu gostava não era de modo nenhum a satisfação total, porque sobretudo não estava na nossa terra. Tudo era feito como se estivesse a tomar um remédio, para a minha doença que era a “maldita saudadeâ€, palavra que só atormenta os portugueses, porque segundo se diz não tem tradução em mais nenhuma língua.

Nós tínhamos instrumentos e aparelhos para tocar que nos eram fornecidos pela base, mas tínhamos de tocar de "borla" para tudo o que era gente e quando havia dinheiro para ganhar a base ficava com a parte de leão. Mesmo assim fazíamos batota quando era possível, dizíamos que o "cachet" era de um valor e na realidade íamos ganhar mais, ficando a percentagem por valores mais baixos. Para nós qualquer dinheirinho extra era uma festa.

Paradoxalmente eu gostei de ter pertencido àquela equipa de militares que em determinada altura das nossas vidas fomos lançados ás feras, tal qual carne para canhão, mas felizmente fui e vim são e salvo. Contribuí com o meu trabalho em muitas noites sem dormir no posto de rádio da base que estava ininterruptamente a trabalhar 24 horas. Fui operador de comunicações (transmitia e recebia morse). Em Angola passei pelos "aeródromos de manobra" do Toto e Maquela do Zombo, que eram pequenos destacamentos dependentes da base principal que era o Negage.

Havia ainda outro destacamento em São Salvador do Congo, mas aí nunca estive. Nos destacamentos o Radio-telegrafista era uma pedra fundamental daquelas mini-bases. Tínhamos que fazer controlo de voo das aeronaves civis e militares que aterravam e descolavam na nossa pista e passavam sobre o nosso espaço aéreo. Fazer a parte inerente a um aeroporto no que concerne ás cargas e descargas do avião que semanalmente vinha de Luanda (o "NORD ATLAS"), designado por nós em gíria pelo "barriga de ginguba", termo que em dialecto indígena quer dizer barriga de amendoim derivado á sua configuração, pois tinha uma barriga muito acentuada). Em Maquela do Zombo tínhamos também o avião de carreira civil da DTA um Dakota (DC3). Depois havia os aviões militares de combate, de transporte e de reconhecimento, além do serviço de operador de comunicações e de operador de cripto, que eram as mensagens em código.

Tirei o curso na BA-2 que se situa na OTA. Um curso extremamente bem ministrado. Dali saíram óptimos profissionais de comunicações que fizeram disso uso para a sua vida profissional. Existiam outros cursos que proporcionaram igualmente saídas profissionais a muita gente: Mecânicos de material aéreo e terrestre, meteorologistas, circulação aérea, mecânicos de armamento e equipamento e abastecimentos. A parte de electromecânica era dada em Paço de Arcos em cursos de rádio, radar e electricistas (Escola Militar de Electromecânica).

Que diferenças entre as comunicações de então e as hoje. Só passaram 40 anos mas quem ousaria pensar nas coisas de hoje. Nem sequer em filmes do James Bond, que era a ficção mais arrojada da época. Internet? computadores? telemóveis?...

Como já disse atrás gostei da tropa, e tenho para mim que foi uma grande escola, talvez aquela onde aprendi mais do que em todas as outras onde andei. Sim porque eu entrei para a tropa como Aluno da 2ª incorporação de 1966 e tinha o nº 780/66.

Aconselho a todos os jovens a Instituição Militar mas isso agora já não é para Milicianos como nós fomos. "Modernices" deste país "do 8 e do 80". No meu tempo nove em cada dez jovens iam para "militar á força". Agora ninguém vai à tropa. Pelo meio fez-se muita trapalhada e denegriu-se as Forças Armadas até se chegar a um estado deplorável de quase total falência.

Na nossa geração houve pessoas que sonharam que este país um dia iria ter "sol para todos" e onde o futuro dos nossos filhos iria ser bem mais sorridente que o nosso, que não iriam ocorrer mais guerras, que teríamos mais e melhores escolas, mais e melhor saúde, mais e melhor justiça social. Pura ilusão. Descobrem-se as coisas mais difíceis mas ninguém é capaz de inventar a cura para a ganância porque enquanto houver gananciosos, que querem explorar o próximo em proveito próprio, cometendo atropelos de toda a ordem, ninguém conseguirá nunca construir nada. Será sempre uma "banda" onde cada um está a tocar para o seu lado, e onde reinará sempre uma desafinação ensurdecedora.

Já perdemos muita coisa neste país em troca de outros valores de hoje em nada melhores que os nossos, onde a honra, a coragem, a educação e a instrução, o respeito, a camaradagem e a amizade, tinham lugar de destaque. Na generalidade todos eram fiéis seguidores destes valores.

Descobre-se tanta coisa e todos os dias vêem-se novos inventos para auxiliar o homem, mas qual quê, nada vem para salvar a humanidade, tudo se faz para fins comerciais. Interessa é ganhar muito dinheiro à custa disso e se for preciso matar alguém não há problemas!...
É frustrante saber que se poderia colocar ao serviço do homem toda a tecnologia que está aí ao alcance da mão, para que não houvesse uma única criança a morrer de barriga vazia, mas a ganância deita tudo a perder. Há quem atribua a origem de todos os males contemporâneos ao fenómeno da globalização e se calhar até estão certos, mas desde que se queira praticar o bem, até por aí poderia ser o caminho. Se rapidamente se chega de um lado ao outro do mundo para lançar bombas, porque não usar essa rapidez para salvar milhares de pessoas de morrerem com fome, frio, ou de doença.

Esta era a nossa ideologia, praticar o bem sem olhar a quem!

Que mais nos irá acontecer?

Da autoria do Caínhas:

A notícia do dia, pelo menos umas das que mais me impressionou, é aquela que diz que se vão encerrar uma série de Maternidades deste país, que fazem menos de 1500 partos anualmente.
Só um governante que não tenha um pingo de sensibilidade, e sabe que quando as suas filhas estiverem naquela hora tão importante para qualquer futura mamã, poderá pagar e tê-las protegidas em bons hospitais particulares Nacionais ou Estrangeiros, porque eles se encarregam de nos fazer pagar a todos nós os contribuintes os seus chorudos ordenados. Eles não sabem o que são necessidades logo o povo que sofra, mesmo que as nossas filhas ou as nossas netas fiquem privadas de um pouco de conforto naqueles momentos tão delicados, em que todas as atenções são poucas, e que todo o carinho e bem-estar deverá rodeá-las. Até parece que estamos a falar de grandes Hospitais, com super maternidades, onde os bebés estão protegidos com incubadora se for caso disso, ou de um coração artificial, ou onde existam médicos obstetras 24 horas por dia. Não, na maioria desses hospitais serão simples enfermarias, com camas disponíveis para a o serviço de maternidade onde as parturientes têm melhores condições que em casa, e onde lhes é ministrado um parto em condições muito superiores, a ter que arriscar um parto em casa sem condições como se fazia há 50 anos atrás.
Será que as estatísticas, que nos arrancaram da cauda dos países subdesenvolvidos, onde as taxas de mortalidade infantil, nos colocavam entre os piores e onde a grande maioria dos partos não eram assistidos, essas taxas hoje superadas e a nossa colocação hoje nos lugares cimeiros vai por água abaixo? Todo o trabalho desenvolvido para que esse estigma de atraso que nos perseguiu durante décadas é para deitar pela borda fora?
Em nome do emagrecimento do Estado, como hoje se diz corta-se no que pode beneficiar os pobres, (porque são muitos), mas para os que estão agarrados aos tachos, não há restrições, é tudo á farta, para eles e para os amigos!
Andam a adormecer-nos, e qualquer dia quando dermos por isso, até a roupa que tínhamos no corpo foi á viola, entretanto eles vão-se enchendo, e tanto faz ser governo como oposição, esse pessoal está todo bem, ganham bem, trabalham pouco e mal, e se prestarem um mau serviço á Nação não tem problema porque depois vão para Directores Gerais de uma qualquer Fundação do Estado, ou Departamento Estatal.

Carlos J. Santos

O FACTO DE TERMOS NASCIDO “DIAMANTESâ€

Recebemos este texto do Caínhas que gostávamos que comentassem:
Já noutra altura escrevi no nosso antigo fórum que ser Diamante era um “Estado de almaâ€. De facto nós temos uma maneira de viver com este valor muito nossa e que não se vê nos outros ex-grupos.
Nós não temos a mania que somos os melhores e nem sequer andamos a fazer guerra com ninguém. Em tempos idos queríamos dar “ratadas†em toda a gente e batemos em muitos, mas agora só queremos ser felizes e que nos deixem em paz!
Queremos apreciar os nossos momentos juntos, da melhor maneira possível desfrutando do prazer que é estar com amigos de tão longa data!
Os Diamantes Negros, como todos aqueles que conhecem a nossa história, constatarão que nós abraçámos várias iniciativas, quase todas viradas para a presença nos palcos. Queremos agora fazer outros eventos, apelando a toda a força organizativa destes elementos e outros que ao longo dos anos sempre nos têm apoiado, e acompanhado.
Ontem dia 25 de Janeiro de 2006, foi dia do 42º Aniversário dos D.N. O Luís fez questão de reunir os quatro músicos mais assíduos em sua casa, tendo a deferência de convidar para um jantar também as nossas mulheres e o nosso amigo de sempre José Branco do Nascimento, que é um organizador por excelência.
O Xixó a determinada altura recordou um famoso passeio pedestre, organizado pelo Zé que foi um sucesso e solicitou-lhe que pusesse em marcha outro passeio com as mesmas características, lá para o princípio do mês de Maio. Logo ali recebeu essa iniciativa toda a concordância dos presentes. Eu fui um dos participantes no primeiro passeio, bem como toda a minha família e recordamos com muita saudade tão feliz organização. Ansiamos já pela futura e prometemos tudo fazer para que se realize e que o êxito se repita.
Na minha cabeça começaram logo a surgir ideias e mais ideias, mas já se sabe sonhar é fácil realizar é difícil, mas pensei, e porque não os Diamantes com todo o seu poder mobilizador de vez em quando pensarem em promover festas com carácter de beneficência, mas todas organizadas por nós, no âmbito da sigla “DIAMANTES NEGROS.ORGâ€. Os resultados apurados seriam entregues a Instituições que nós resolvêssemos ajudar!
E logo pensei que a primeira instituição a ajudar tinha que ser a SOCIEDADE UNIÃO SINTRENSE, coitadinha tão velhinha e tão desfavorecida de amigos puros!
A ideia foi lançada, haja apoiantes e coloque-se em marcha o projecto!
26/01/06

Caínhas

Diamantes 2006

42 anos depois os Diamantes teimam no encontro todos os dia 25 de Janeiro...
...Faça chuva ou faça sol, como diz o Victor Ricardo!
Este ano, porque dia 25 calha a uma quarta-feira, iremos comemorar o nosso aniversário no sábado dia 28.
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